- O que você disse?
- Isso mesmo que você ouviu.
- Não, eu não posso acreditar. Você tá fazendo ora comigo, só pode ser.
- Olha, eu tô falando a verdade, se você não quiser acreditar, o problema é seu.
- Mas isso é impossível!
- Então me explica: como você pode ler mentes?
- Não sei, e também não quero saber!
- Pelo visto ficou nervosa.
- Mas se eu sou isso mesmo que você diz, quer dizer que a minha mãe ou o meu pai são iguais a mim.
- Não. A sua mãe que era o anjo, o seu pai é um metamorfo.
- O que é isso?
- Ele pode se transformar em qualquer coisa.
- Ele é assim como você: imortal?
- Não, você e sua mãe são as únicas que existem no universo.
- Para! A minha mãe tá viva?
- Está, mas em outra dimensão.
- Esse tempo todo e eu pensando que estava morta!
- Calma, Danielly.
- Como eu vou ficar calma, sabendo disso?
- Você não sabe o que viver sabendo que a sua mãe morreu, e descobrir que ela estava viva esse tempo todo. Você não sabe o que viver só, e isolada do mundo! Não sabe!
- Pode ter certeza eu sei! Eu sei o que é ser imortal e não ter ninguém!
Dizendo essas palavras desse modo, fez com que ela se calasse durante o restante do caminho. Ficando assim começou a observar o caminho por onde eles passavam, era parecido com um cenário de filme de terror, de um lado da estrada havia uma floresta, que segundo quem morava na região era mal-assombrada, do outro não se via nada, pois estava nublado, mas dava para se perceber, que se tratava de um lago ou um pântano, também com lendas horripilantes. Eis algumas delas: diziam que qualquer pessoa que mergulhasse no pântano morreria ou se tornaria um mostro ou até mesmo pudesse adquirir poderes especiais. Já quem entrasse na floresta não retornaria jamais ao mundo de onde viera, até que servisse por completo o Senhor das Trevas.
Enquanto Carlos e Danielly se encaminhavam para seus destinos, Lucas acabava de acordar da pancada que havia recebido. Assim que recuperou e viu que a sua filha não estava na enfermaria da escola, saiu a procura dela, a todos a quem perguntam se a tinham visto, a resposta era sempre a mesma: não!
A ponto de ficar louco saiu da escola e decidiu utilizar os seus poderes, se transformou em um lobo, afinal eles podem sentir o cheiro de alguém de longe. Farejou o perfume de Danielly e foi a sua procura.
Os já estavam quase chegando ao destino, quando Danielly sentiu um arrepio no corpo, a tomando por completo. Pensou que fosse a paisagem, pois era estranha.
Quando chegaram, ela pensou que estava em filme ou coisa do tipo, por causa do local onde pararam. Era um casarão antigo, parecia ser de madeira e mal-assombrado.
- Vamos?
- O que é isso? Sua casa?
- Sim. Você gostou?
- Sinceramente? Não.
- Eu já esperava isso, vindo de você.
- Ora, ora, ora, eu pensei que eu nunca iria ver você, Carlos?
- Lucas?
- Parabéns! Você acertou! Palmas!
- Sai daqui, Danielly. Isso é um assunto entre eu e seu pai.
- Mas...
- Sai daqui agora!
- Sabe eu acho que a minha tinha que ficar, pra a sua morte.
- Esqueceu que eu diferente de você sou imortal?
- Droga!
- Isso mesmo. Se eu fosse você eu sairia daqui agora.
- Não! Eu não vou sair daqui sem levar o que me pertence!
Nesse exato instante Lucas atacou Carlos e começaram a brigar entre si. Danielly saiu correndo do local, buscando se proteger de algum jeito. Sendo que do nada um lobo, não um normal, mas sim muito maior apareceu na sua frente, logo se transformando no seu pai.
- Danielly. Vamos embora.
- Não!
- Hã? Pelo visto ele conseguiu mudar a sua cabeça?
- Também não, ele só me contou toda a verdade.
- Não!
No mesmo instante do grito Carlos deu uma punhalada na costas de Lucas, fazendo com que ele fugisse para longe, sem levar Danielly. Quando isso aconteceu, novamente ela viu o mesmo rosto, que tinha visto no dia do acidente e hoje de manhã, enquanto lavava o rosto na escola.
- Você tá bem?
- Tô. Foi só uma tonteira.
- Vamos entrar? - Quando menos esperava estava sendo carregada até a entrada da casa, e sendo posta em uma cama, e logo adormecendo.
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